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Vereadores debatem reestruturação do transporte por ônibus no Rio

Rio Ônibus e do Sindicato dos Rodoviários solicitam auxílio da Câmara para recuperação de linhas e fortalecimento das empresas de ônibus

 

O futuro do transporte público por ônibus foi pauta de audiência na Câmara de Vereadores na manhã desta quinta-feira (27). Legisladores, rodoviários e representantes do Rio Ônibus discutiram medidas para reequilibrar o setor e manter o serviço em atividade. Para a Comissão de Transportes da Casa, o momento requer união institucional e ações efetivas para a recuperação dos consórcios e a retomada da qualidade das operações.

Segundo o vereador Alexandre Isquierdo, é preciso ação coletiva para que empresas parem de fechar suas portas e trabalhadores deixem de perder seus empregos. Outro destaque da audiência foi a importância de serem preservados acordos judiciais de centralização entre empresas de ônibus e colaboradores já demitidos. A medida visa o pagamento de processos trabalhistas de forma fracionada, já que o setor atravessa o pior momento econômico-financeiro da história.

– Com a crise provocada pela pandemia, as empresas estão em colapso. É preciso agirmos em conjunto para que se encontrem soluções, evitando que outras empresas não venham a desaparecer, prejudicando a vida da população e gerando mais desempregos – afirmou o vereador.

A sessão contou com a presença do presidente do Sindicato dos Rodoviários, Sebastião José da Silva, que defendeu o fortalecimento das empresas para que não haja uma enxurrada de novas demissões.

– Sem empresas fortes não temos nossos empregos. Acredito que tenhamos dado um passo muito importante hoje. O setor precisa sobreviver, e para isso é preciso compromisso e consciência de todos. Já passou da hora de apresentarem um novo modelo para operação do transporte. Se insistirem com penhoras das empresas e com o fim dos acordos coletivos de centralização de pagamento, nossa categoria será ainda mais prejudicada – explicou.

Para o presidente do Rio Ônibus, João Gouveia, há soluções viáveis que não oneram os cofres da Prefeitura e podem evitar que mais linhas deixem de circular por falta de recursos, já que 50% dos passageiros pagantes desapareceram desde o início da pandemia, refletindo em déficit de receita de R$1,4 bilhão ao setor desde março de 2020.

– As tarifas estão congeladas há 30 meses. Esta situação precisa ser revista com bastante responsabilidade, já que todos os insumos necessários para manter os ônibus em operação seguem em alta. Precisamos modernizar o modelo tarifário, possibilitando a remuneração do setor sem prejudicar o bolso do cidadão – ressaltou Gouveia – O óleo diesel, por exemplo, subiu mais de 40% só este ano. Não há mais condições de arcarmos com esses encargos sem suporte do Poder Público. Outra medida que possibilitaria algum fôlego ao setor seria a liberação do auxílio emergencial de R$4 bilhões em recursos federais aos sistemas de transportes das principais cidades do país, vetado pelo Governo.

A taxação dos carros por aplicativo para geração de receita pública a ser destinada à manutenção do transporte coletivo e a urgente necessidade de retomada da vacinação dos rodoviários contra a Covid-19 foram pautas abordada pelo vereador Felipe Michel.

– Precisamos falar sobre a Uber. Se queremos resolver o problema da mobilidade no Rio, precisamos falar do sistema como um todo. Não sabemos, por exemplo, quantos carros por aplicativo circulam no Rio de Janeiro. As pessoas que têm recurso estão migrando do ônibus para este tipo de transporte, o que, sem a devida regulamentação, desequilibra totalmente o setor – pontuou o vereador, que iniciou uma lista de assinaturas para pressionar autoridades a autorizarem a priorização dos profissionais rodoviários na fila pela imunização contra o vírus.

Entre os avanços do encontro, foi formalizada a intenção de formação de grupo de trabalho, com participação de especialistas para o desenvolvimento de estudos capazes de agregar transparência aos procedimentos e eficiência na celeridade das ações. Os vereadores Luiz Ramos Filho, Tarcísio Motta e Celio Lupparelli também participaram da sessão. Para Lupparelli, o transporte é reflexo da sociedade.

– Está claro a necessidade de agilizarmos a recuperação deste serviço público indispensável. Se o transporte vai mal, a cidade não vai bem – resumiu.

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